Seja bem-vindo(a) à 1ª edição do Radar da Desinformação, um boletim do Projeto Desinformação e Vacinas, do PECS com financiamento do CNPq. Esta curadoria também é parte da Newsletter mensal do PECS.
A equipe do projeto utiliza métodos computacionais para monitorar o espalhamento da desinformação nas redes em tempo real, com a pergunta norteadora:
“Como a desinformação afeta as coberturas vacinais?”
Além de trazer novidades sobre a pesquisa e o combate à desinformação na Saúde, o objetivo desta newsletter é também responder um pouquinho dessa pergunta, monitorando notícias, outras pesquisas e os debates que o assunto tem gerado nas redes.
Tudo isso, claro, com a curadoria e revisão ultra especializada dos nossos pesquisadores.
1º Seminário Desinformação sobre Vacinas

O 1º Seminário Desinformação sobre Vacinas: caminhos para a integridade da informação foi uma oportunidade de dimensionar os problemas causados pelas informações falsas na internet. A vacina acaba sendo vítima de seu próprio sucesso: quando a doença deixa de ser uma realidade cotidiana, as pessoas esquecem da importância dos imunizantes (e a desinformação amplifica esse efeito!).
Na ocasião, os pesquisadores apresentaram um modelo teórico desenvolvido pelo projeto para estudar a desinformação sobre vacinas. A metodologia aborda a circulação de fake news sob a ótica da epidemiologia: como se ela fosse um vírus capaz de infectar ou não a população. Essa estrutura permite mapear o problema com clareza e desenhar políticas públicas mais eficientes.
O evento também mostrou que é importante – e urgente – tratar a desinformação como uma ameaça à saúde pública, tal qual a falta de saneamento básico ou a venda de produtos não regulamentados. Nesta perspectiva, a atuação dos profissionais de Vigilância em Saúde torna-se um pilar estratégico para combater ativamente o avanço dessa infodemia.
Estes assuntos são apenas uma pequena parte do que foi discutido no Seminário. A boa notícia para quem não pôde participar é que a gravação do evento está disponível no YouTube.

Destaque na mídia – O projeto também chamou atenção por uma parte de seus resultados preliminares: a descoberta de uma comercialização ativa de certificados vacinais falsos no Telegram. O assunto foi capa do jornal soteropolitano A Tarde e repercutiu no Jornal Correio e BandNews FM.
A comercialização destacada nas reportagens é feita por grupos que atuam em “câmaras de eco” formadas por pessoas que já desconfiam das vacinas. Nessas bolhas, também são propagadas estratégias de “detox vacinal” e outras mentiras.
Radar
O que estamos lendo e monitorando
O presidente do Programa Nacional de Imunização (PNI), Eder Gatti, afirmou que há interesses econômicos e políticos por trás da propagação da desinformação e defendeu a regulamentação das redes sociais para combatê-la. Ele esteve no evento “O impacto da desinformação: da saúde à democracia”, do Correio Braziliense.
Um estudo da UnB com profissionais da Atenção Primária à Saúde em 10 países mostrou que o Brasil é destaque no posicionamento contra a desinformação. Dos entrevistados brasileiros, 31% afirmam apagar e alertar quem compartilha informações falsas. O país também lidera na percepção de qualidade das fontes oficiais.
Um ensaio de pesquisadores das Ciências Sociais da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) reflete sobre o uso de inteligência artificial na desinformação, o caso do detergente Ypê e os desafios que vêm aí com a proximidade das eleições.
Uma matéria da Veja Saúde lista os principais benefícios das vacinas além da imunização. Eles incluem menores riscos de infartos, Alzheimer e câncer.
Dois perfis do Facebook de uma médica da Fiocruz foram bloqueados por disseminarem desinformação. O bloqueio, que também proibiu novas publicações com referência à Fiocruz, foi resultado de uma ação movida pela própria entidade contra a servidora. Leia mais no jornal O Globo.
Por hoje é isso! Esperamos que tenha gostado e, para mais novidades, acompanhe o nosso Instagram e o site: pecsufba.org.