Seja bem-vindo(a) à 3ª edição do Radar da Desinformação! Chegamos a mais um boletim do Projeto Desinformação e Vacinas, desenvolvido pelo PECS com apoio e financiamento do CNPq. O projeto investiga como as notícias falsas afetam as coberturas vacinais no Brasil, utilizando métodos computacionais para mapear a circulação de conteúdos enganosos em tempo real.
Por aqui, você acompanha as descobertas da nossa equipe e as discussões mais recentes sobre a integridade da informação em saúde, sempre com a curadoria rigorosa dos nossos pesquisadores.
A volta do Sarampo

Foto: Bruno Bocchini/Agência Brasil. Pessoas na fila de vacinação em São Paulo (SP).
Em São Paulo, São Bernardo do Campo e Guarulhos, novos casos de sarampo levaram o Ministério da Saúde a recomendar a revacinação contra a doença para pessoas de 6 meses a 59 anos. De acordo com a OPAS/OMS, o número de casos na América Latina é o maior em 22 anos. A organização pede reforço da vacinação e resposta rápida aos surtos.
A América Latina não é a única afetada. Nos Estados Unidos, foram registrados 2.318 casos da doença nos primeiros sete meses do ano, mais que os 2.289 casos registrados no país norte-americano em todo o ano de 2025, como apontam relatórios do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).
O mais triste é que a doença é totalmente evitável por meio da vacina e uma das razões para o aumento dos casos é justamente a desinformação sobre os imunizantes.
Radar
O que estamos lendo e monitorando
Uma pesquisa do Laboratório de Educação, Informação e Comunicação em Saúde da Universidade de Brasília (UnB) concluiu que a desinformação sobre saúde já interfere na relação entre médicos e pacientes. O estudo, realizado com profissionais de saúde de 13 países, observou que as notícias falsas dificultam a adesão a tratamentos e representam um desafio cada vez maior para os sistemas de saúde.
Se o combate à desinformação em saúde já exigia esforços gigantescos, a popularização da inteligência artificial (IA) elevou a complexidade desse desafio. Em reportagem publicada pelo Jornal GGN, especialistas convidados pela Rede Fiocruz de Saúde Digital debatem como os algoritmos e os deepfakes têm transformado o cenário da infodemia e quais estratégias são urgentes para proteger a informação científica.
Neste vídeo da TV Senado, a especialista em liberdade de expressão e comunicação Patricia Blanco fala sobre como identificar conteúdos desinformativos e os impactos das notícias falsas no processo eleitoral.
Uma pesquisa, descrita em matéria da Agência FAPESP, identificou uma forma mais sofisticada de desinformação científica, na qual grupos passam a apropriar-se seletivamente da linguagem, das referências e da autoridade da ciência para conferir aparência de legitimidade a conteúdos falsos.
Já este outro estudo, desenvolvido pela agência de marketing digital Hallam e divulgado pelo Times Brasil, identificou sinais de uso de IA em 40% dos vídeos de saúde analisados entre os principais resultados de buscas no TikTok. Muitos deles utilizavam deepfakes para reproduzir a aparência e a voz de médicos.
Uma reportagem do Estadão mostra a diversidade dos perfis de IA que circulam nas redes sociais. Alguns desses perfis divulgam curas milagrosas e aconselhamentos médicos sem comprovação científica.
Uma análise da plataforma de monitoramento digital Torabit mostrou que, no período marcado por uma nova onda de ataques às vacinas, as manifestações favoráveis à imunização foram maioria nas redes sociais: das publicações que continham o termo “vacina”, 54,4% foram classificadas como pró-vacina e 28,3% eram antivacina, como relatou esta reportagem da BBC News Brasil.
Em vídeo publicado pelo Metrópoles, o médico Drauzio Varella analisa um dado alarmante: documentos internos da Meta, analisados pela Reuters, estimaram que 10% da receita anual da empresa poderia estar relacionada à veiculação de anúncios fraudulentos ou produtos ilícitos.
E uma charge do desenhista André Dahmer compara salsichas com fake news. Veja.
Por hoje é isso! Esperamos que tenha gostado e, para mais novidades, acompanhe o nosso Instagram e o site: pecsufba.org.