Radar da Desinformação – Julho de 2026

Publicado em 31 de julho de 2026 por Camila Pessoa

Radar da Desinformação – Julho de 2026

Esta é a 2ª edição do Radar da Desinformação! O boletim faz parte do Projeto sobre Desinformação e Vacinas, desenvolvido pelo PECS com financiamento do CNPq. Com a pergunta norteadora “como a desinformação afeta as coberturas vacinais?”, o projeto usa métodos computacionais para monitorar o espalhamento dessa desinformação nas redes em tempo real.

Nesta edição, respondemos a pergunta:

Mesmo após a pandemia, os propagadores de fake news continuam em todos os lugares. O funcionamento das redes sociais incentiva a disseminação desse tipo de conteúdo.

Estudos apontam que a desinformação se espalha mais. Notícias falsas têm um potencial 70% maior de viralizar em relação às confiáveis, de acordo com o Massachusetts Institute of Technology. Além disso, notícias confiáveis dificilmente alcançam mil usuários, enquanto o conteúdo falso tem mais chances de alcançar entre mil e 100 mil pessoas.

Essa alta viralidade contribui para uma lógica de mercado em que a desinformação é extremamente lucrativa. Fabricar desinformação é mais barato do que produzir jornalismo de qualidade. Entre as estratégias para ganhar dinheiro com fake news estão os anúncios programáticos, moderação de conteúdo comercial, monetização de influencers e otimização algorítmica.

Esta é uma parte do conteúdo informativo que estamos divulgando nas nossas redes. Acompanhe o site e o Instagram do PECS para mais 😊.

O caso da vacina da dengue

No dia 8 de junho de 2026, a aplicação da vacina da dengue Butantan-DV foi suspensa, após 42 sinais de alerta, incluindo três casos graves e duas mortes. A vacina segue suspensa para investigação. O caso alimentou os grupos antivacina, que começaram a criar controvérsias. No entanto, especialistas apontam que a medida é uma resposta padrão e demonstrou transparência.

Acontece que os casos não significam necessariamente que a vacina é insegura e podem, inclusive, não estar relacionados com a imunização. Na verdade, a detecção desses casos e rápida suspensão para análise atestam que o sistema de vigilância está funcionando. Inclusive, a OMS e a OPAS avaliam que a decisão foi “responsável e prudente”.

Radar

O que estamos lendo e monitorando

Vídeos com deepfakes de médicos e celebridades criados por inteligência artificial (IA) divulgam curas milagrosas, mirando a população idosa, como detalha matéria do TVT News. Casos envolvem figuras como o médico Hélio Brasileiro, Dr. Drauzio Varella, o apresentador Ratinho e o jornalista Nelson Araújo. Os vídeos usam a imagem desses famosos para vender suplementos e prometer curas para diabetes, Alzheimer e doenças cardiovasculares.

Infelizmente, a desinformação afeta todas as idades. Este vídeo da Assembleia Legislativa de Minas Gerais conta a história de Ana Clara, uma criança que contraiu coqueluche aos dois meses de idade. A doença é totalmente prevenível pela vacinação. Ana ainda era muito pequena para se vacinar e não estaria em risco se todos os pais vacinassem seus filhos.

Qual é a desinformação em saúde que mais te irrita? Laura Marise e Ana Bonassa, do Nunca vi 1 cientista, perguntam aos influenciadores mais populares da divulgação da ciência e saúde no país. Eles respondem: “a vacina causa autismo”, “depressão é falta de Deus”… O vídeo traz ótimas respostas num tom super bem-humorado. Assista.

Escuta e acolhimento. Esta é a estratégia desses profissionais quando se deparam com negacionistas da vacina. A infectologista e docente da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp Raquel Stucchi e outros especialistas falam sobre táticas verdadeiramente eficazes para combater a desinformação.

Uma pesquisa analisou postagens sobre saúde nas redes sociais e verificou uma presença significativa de conteúdos falsos ou enganosos, principalmente relacionados a neurodivergências.

Já este estudo da Revista Regeo encontrou uma correlação entre a literacia em saúde e a aceitação de vacinas em adultos.

Neste vídeo, o Dr. Drauzio Varella comenta dados do Edelman Trust Barometer, segundo os quais quase 30% dos brasileiros creem em mitos como o uso de vacinas para controle populacional e a ideia de que os riscos da imunização infantil superam seus benefícios.

Uma reportagem do Coletivo Bereia discute a evolução do movimento antivacina no Brasil, hoje não só relacionado com a disseminação de desinformação, como também a questões políticas e religiosas.

Por hoje é isso! Esperamos que tenha gostado e, para mais novidades, acompanhe o nosso Instagram e o site: pecsufba.org.