Radar da Desinformação – Junho de 2026

Publicado em 19 de junho de 2026 por Camila Pessoa

Radar da Desinformação – Junho de 2026

Seja bem-vindo(a) à 1ª edição do Radar da Desinformação, um boletim do Projeto Desinformação e Vacinas, do PECS com financiamento do CNPq. Esta curadoria também é parte da Newsletter mensal do PECS.

A equipe do projeto utiliza métodos computacionais para monitorar o espalhamento da desinformação nas redes em tempo real, com a pergunta norteadora:

“Como a desinformação afeta as coberturas vacinais?”

Além de trazer novidades sobre a pesquisa e o combate à desinformação na Saúde, o objetivo desta newsletter é também responder um pouquinho dessa pergunta, monitorando notícias, outras pesquisas e os debates que o assunto tem gerado nas redes.

Tudo isso, claro, com a curadoria e revisão ultra especializada dos nossos pesquisadores.

 

1º Seminário Desinformação sobre Vacinas

 

O 1º Seminário Desinformação sobre Vacinas: caminhos para a integridade da informação foi uma oportunidade de dimensionar os problemas causados pelas informações falsas na internet. A vacina acaba sendo vítima de seu próprio sucesso: quando a doença deixa de ser uma realidade cotidiana, as pessoas esquecem da importância dos imunizantes (e a desinformação amplifica esse efeito!).

Na ocasião, os pesquisadores apresentaram um modelo teórico desenvolvido pelo projeto para estudar a desinformação sobre vacinas. A metodologia aborda a circulação de fake news sob a ótica da epidemiologia: como se ela fosse um vírus capaz de infectar ou não a população. Essa estrutura permite mapear o problema com clareza e desenhar políticas públicas mais eficientes.

O evento também mostrou que é importante – e urgente – tratar a desinformação como uma ameaça à saúde pública, tal qual a falta de saneamento básico ou a venda de produtos não regulamentados. Nesta perspectiva, a atuação dos profissionais de Vigilância em Saúde torna-se um pilar estratégico para combater ativamente o avanço dessa infodemia.

Estes assuntos são apenas uma pequena parte do que foi discutido no Seminário. A boa notícia para quem não pôde participar é que a gravação do evento está disponível no YouTube.

Assista aqui

 

Destaque na mídia – O projeto também chamou atenção por uma parte de seus resultados preliminares: a descoberta de uma comercialização ativa de certificados vacinais falsos no Telegram. O assunto foi capa do jornal soteropolitano A Tarde e repercutiu no Jornal Correio e BandNews FM.

A comercialização destacada nas reportagens é feita por grupos que atuam em “câmaras de eco” formadas por pessoas que já desconfiam das vacinas. Nessas bolhas, também são propagadas estratégias de “detox vacinal” e outras mentiras.

Radar

O que estamos lendo e monitorando

Uma pesquisa mostrou que três em cada 10 pessoas no mundo acreditam que os riscos das vacinas infantis superam os benefícios. O estudo destacou outras cinco mentiras sobre saúde amplamente difundidas e revelou que essas crenças estão presentes em todos os segmentos da população, principalmente nos países em desenvolvimento. Leia mais no Estadão.
Já no Brasil, uma pesquisa divulgada pelo jornal O Tempo mostrou que a adesão às vacinas fica próxima de 78% entre idosos, mas cai para 62% entre jovens de 16 a 34 anos. O estudo também constatou que quase 30% dos brasileiros não aderem plenamente à vacina. Esse comportamento é atribuído à desinformação, polarização política e queda de confiança em instituições públicas.

O presidente do Programa Nacional de Imunização (PNI), Eder Gatti, afirmou que há interesses econômicos e políticos por trás da propagação da desinformação e defendeu a regulamentação das redes sociais para combatê-la. Ele esteve no evento “O impacto da desinformação: da saúde à democracia”, do Correio Braziliense.

Um estudo da UnB com profissionais da Atenção Primária à Saúde em 10 países mostrou que o Brasil é destaque no posicionamento contra a desinformação. Dos entrevistados brasileiros, 31% afirmam apagar e alertar quem compartilha informações falsas. O país também lidera na percepção de qualidade das fontes oficiais.

Um ensaio de pesquisadores das Ciências Sociais da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) reflete sobre o uso de inteligência artificial na desinformação, o caso do detergente Ypê e os desafios que vêm aí com a proximidade das eleições.

Uma matéria da Veja Saúde lista os principais benefícios das vacinas além da imunização. Eles incluem menores riscos de infartos, Alzheimer e câncer.

Dois perfis do Facebook de uma médica da Fiocruz foram bloqueados por disseminarem desinformação. O bloqueio, que também proibiu novas publicações com referência à Fiocruz, foi resultado de uma ação movida pela própria entidade contra a servidora. Leia mais no jornal O Globo.

Por hoje é isso! Esperamos que tenha gostado e, para mais novidades, acompanhe o nosso Instagram e o site: pecsufba.org.